Andando como quem se perde e se encontra na mais profunda tristeza. Assim seus sentimentos eram de certa forma explícitos, de maneira que não os tornava público por uma questão de princípios, muitas vezes por não achá-los de relevância ou que pudessem importar a outrem.
Cegamente se martirizava e, convicto de sua solidão, se enterrava numa cova de pouquíssima profundidade, restando a si uma sutil lembrança dos anos que lhe foram bons। Anos tais que se iniciam em zero e se vão aos quarenta. Anos cujo amor era de tão intenso, contagiante e de tão puro, estampado naqueles rostos que uma vez se compartilharam. Eram sentimentos de perda, com curtas doses de arrependimento.
Num dia qualquer, bem distante dos antes atuais quarenta, se concentra numa auto-proposta e se predispõe a fazer mudar o mar de prantos que fez ilhar-se. Todavia ao seu redor só acumulara passado e amigos ouvintes já se foram aos poucos. Restava então a lembrança mais atual. De sentimento de perda como outrora, mas agora com o peso permanente de ter criado seu próprio túmulo.

6 comentários:
Belo texto!
Isso é o que acontece com quem despreza amigos.
Parabéns pelas palavras.
Achei muito triste.
Texto com uma escrita boa, mas nos leva a sofrer.
Tereza M. Silva
Redigido com maestria, um texto intenso e altamente reflexivo.
Com o advento da Internet os antigos amigos de papel tornaram-se amigos virtuais, mas há de se verificar que os sentimentos são os mesmos...amor, alegria, melancolia, tristeza, assim como o talento dos poetas e sua capacidade de tocar os corações.
Grande Caíque e seus textos bem direcionados.
Parabéns craque!
Simples e direto.
Essa sua forma de escrita é seu maior trunfo.
Show.
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