quinta-feira, 20 de março de 2008

História ao mar

Mar que balança
Empurrado pelo vento
Forte como uma lança
Acaba com o tormento

Leva para longe
Todo o mal com o tempo
Deixa a paz de um monge
Sentado em seu templo

Fica vezes solidão
Mas ainda andas
Jamais escuridão
Apenas ondas

Um mar para cada um
Singular como o ser
Uma história nunca comum
Que nunca volta a ver

Purifica pelo longe que leva
Pela força do branco sal
A alma se eleva
Então adeus àquele mal

quarta-feira, 19 de março de 2008

Medo afasta amor

Um dia ver
Sofrer em ter
Alguém por perto
Com muito afeto
Entrando em parafuso
Por uma mudança de fuso

Resolve correr
Para não temer
O que é incerto
Por parecer muito correto
Sente-se em uso
E cai em desuso

Adeus amor

segunda-feira, 17 de março de 2008

Amigos de papel

Andando como quem se perde e se encontra na mais profunda tristeza. Assim seus sentimentos eram de certa forma explícitos, de maneira que não os tornava público por uma questão de princípios, muitas vezes por não achá-los de relevância ou que pudessem importar a outrem.

Cegamente se martirizava e, convicto de sua solidão, se enterrava numa cova de pouquíssima profundidade, restando a si uma sutil lembrança dos anos que lhe foram bons। Anos tais que se iniciam em zero e se vão aos quarenta. Anos cujo amor era de tão intenso, contagiante e de tão puro, estampado naqueles rostos que uma vez se compartilharam. Eram sentimentos de perda, com curtas doses de arrependimento.

Num dia qualquer, bem distante dos antes atuais quarenta, se concentra numa auto-proposta e se predispõe a fazer mudar o mar de prantos que fez ilhar-se. Todavia ao seu redor só acumulara passado e amigos ouvintes já se foram aos poucos. Restava então a lembrança mais atual. De sentimento de perda como outrora, mas agora com o peso permanente de ter criado seu próprio túmulo.