terça-feira, 24 de novembro de 2009

Solo verde encardido

Muito longe da cidade
Jogos laços de pescoço
Boi sentado em cim'um moço
Que apesar da pouca idade
Leva a vida dura em osso

N'aventura de viver
Pesado, triste, um boi velho
Nunca foi levado a sério
Certa a morte desse ser
Num minuto um mistério
Sofre até não poder ver

O menino, um rapaz
Botas presas com metal
Não se sente um ser mal
Porque sabe qual sua paz
Ao andar no matagal

Mas a presa não é leve
Puxa seco, outro bicho
Forte novo, mais arisco
Desconhece o que sucede
Força tanto, o fraco, lixo
Muito mais do que se deve

O herói do mato e a corda
Bem ao lado o velho e o forte
Leva firme, o laço, a sorte
Logo as quatro então acorda
Pensa na sua nova morte

Mais um dia para os dois
O bicho forte e o do laço
Vão traçar um novo passo
Atormentando outros bois
Que vencidos por cansaço
Quem não morre vai depois